A minha aproximação com a performance art acontece no momento em que durante experimentações dos últimos dois trabalhos que desenvolvi, meu interesse começa a se voltar para o movimento como resultado de um estado do corpo. Encontro na performance art algumas afinidades que apontam caminhos e reverberações interessantes das questões que venho confrontando na criação com movimento (representação/ experiência, presentificação, tornar visível a reflexão do tema/provocar a reflexão sobre o tema/ construção de sentidos e metáforas do corpo e do movimento).
Estas questões tem pautado minha forma de pensar e trabalhar, influenciando minha abordagem da criação de movimento, dramaturgia e coreografia. Parece ser, no momento, uma das molas propulsoras dos meus processos criativos. De alguma forma minha atenção se volta para isso sempre que me pego buscando entender o que me atrai nas respostas dos bailarinos aos estímulos, para poder entender como dirigí-los para esse contato com o interior, deixando com que o movimento seja o resultado do "movimento mais interior", de uma entrega que não busca a forma, complexo em camadas de sentidos. O desafio fica sempre no registro dessa forma no corpo, no espaço e no tempo. A forma paradoxalmente é importante, mas parece que não podemos pensá-la de fora para dentro
A não divisão entre vida e arte, a experiência como arte.
Algumas questões que estão sempre presentes:
1-Como as noções de corpo e movimento influi na forma como nos expressamos e criamos em dança?
Por isso achei importante que no encontro 3 conversássemos sobre nossas noções de corpo e sobre minha pesquisa e aproximação com a performance art.
2- Qual a importância das estratégias utilizadas para a criação e sua influência no trabalho final apresentado ao público ?
Penso que neste caso achei importante contextualizar a ideia da performance para que o trabalho de improvisação que iremos fazer com a comida no corpo não seja só a da sensação da comida no corpo. Esse lugar já me parece muito conhecido e muito explorado. Assim, é importante criar camadas de significado para de alguma forma levar a improvisação para um outro lugar de criação. Onde a comida no corpo seja só o ponto de partida, ou uma maneira de entrar em contato com toda a reflexão que surgiu do Banquete de Platão.
3- Como abordar o tema a ser trabalhado e criar uma situação/ contexto/ ambiente e atmosfera propícia de criação para acessar, refletir, processar, incorporar e se envolver com o tema e sua s premissas? Seria isso primeiramente possível e finalmente, original e interessante?
Fotos: Marina Abramovic


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