domingo, 25 de dezembro de 2011
Processo cru.
sábado, 24 de dezembro de 2011
Por uma crua experiência.
A criação do work in progress Cru foi mais uma parceria junto à Luciana Lara. Trabalhando a cerca de quatro anos junto à ASQ, a experiência que trago com seus processos, sempre foram de verticalização na pesquisa do movimento. Quando me refiro a esse trabalho, me deparo com um prazo curto e de muita necessidade de entrega. Cru é um trabalho que requer do intérprete, não meias palavras ou meia entrega, é um processo que requer, ou bailarino (por que não?), do performer, ou como você opta por “definir”, uma disponibilidade psicofísica abrangente e exposição. Desde o início, buscou-se uma fisicalidade que reverberasse cada vez mais essa relação corpo/orgânico. O corpo enquanto elemento orgânico, quase um virar ao avesso desse corpo. Aos poucos o caminho foi de busca cada vez mais da aproximação do corpo com o primitivo, os primeiros sabores, os primeiros prazeres, o animalesco, o devorar e devorar-se. Não a busca mimética, que inclusive ocorria em alguns momentos, mas a busca por um estado primitivo reverberado nesse corpo por meio de sons, gestos, ações e principalmente relações. O corpo nu foi surgindo naturalmente na pesquisa, e na busca dessa organicidade reverberada, onde a nudez possibilitava a visibilidade do corpo reagindo a tudo no momento da criação. A dramaturgia foi sendo delineada a medida que entendíamos as relações que estávamos criando, entre nós, com cada um, com os objetos e com o público. A definição do que supostamente éramos, o que nos transformávamos e o que realizávamos foi delineando o resultado final. A agressividade, ou disputa de poder, foi surgindo nos improvisos, o que tornava a performance cada vez mais exigente do intérprete.A exigência de sustentar um alto grau agressivo e de ação, exigia uma preparação que eu particularmente sentia que meu corpo não possuía. Em determinado momento parece que o corpo não responde mais, não se sabe, nem se entende mais o que se está criando, sendo necessário então o olhar de fora para conseguir identificar essas milhares de criações. A experimentação com talheres trazia uma possibilidade rica de vocabulário que ainda não foi descoberta nesse work in progress. Alguns elementos foram coletados, mas o universo que uma faca, um garfo, e uma colher possuem é muito maior e mais aprofundado, crendo eu que necessitaríamos de mais tempo e pesquisa. Interessante era perceber e sentir no próprio corpo a transformação física da performance. Tentarei em algumas breves palavras descrever sensações que reverberavam ou ocorriam no corpo:
- Cansaço, dor muscular, respiração alterada, ardência em algumas partes do corpo, inchaço no rosto, agressividade, vontade de permanecer quieto, excesso de energia, taquicardia, necessidade de não olhar as pessoas nos olhos, sudorese, impaciência, vontade de ficar só, forte resistência a dor, sensação de fracasso, arrependimento, excesso de informação mental, certo grau de humilhação.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Apresentação amanhã!
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Experiência com a comida
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Experiência comida!
Arroz, feijão, macarrão, carne, batata palha, molho de tomate. A sensação da comida no corpo é muito estranha. Comida quentinha (a carne tava gelada). O cheiro é muito forte. O olho arde com o molho que escorre pelo rosto. Mas a comida continua comida e a vontade é de comer, se deliciar. Uma sensação quase sexual. Desejo, vontade, fome... o movimento vai em função disso. Me como, me lambuso. O chão faz parte. A comida jogada, amassada e suada ainda é comida. Me delicio. O cheiro é muito forte. O desconforto e cansaço aparecem. A comida seca incomoda. A sensação do corpo é de asco. A pele parece uma panela suja, e o cheiro vai piorando. Comida seca, fria, velha. Mas quando chega comida quente a vontade volta, o desejo continua, o sexo continua. Parece que o cheiro intenso vai cansando... o final é mistura de cansaço e nojo, é quase insuportável. Mas não me incomodo muito. Faz parte.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Terceiro encontro por Luciana - Por que performance art?
A minha aproximação com a performance art acontece no momento em que durante experimentações dos últimos dois trabalhos que desenvolvi, meu interesse começa a se voltar para o movimento como resultado de um estado do corpo. Encontro na performance art algumas afinidades que apontam caminhos e reverberações interessantes das questões que venho confrontando na criação com movimento (representação/ experiência, presentificação, tornar visível a reflexão do tema/provocar a reflexão sobre o tema/ construção de sentidos e metáforas do corpo e do movimento).
Estas questões tem pautado minha forma de pensar e trabalhar, influenciando minha abordagem da criação de movimento, dramaturgia e coreografia. Parece ser, no momento, uma das molas propulsoras dos meus processos criativos. De alguma forma minha atenção se volta para isso sempre que me pego buscando entender o que me atrai nas respostas dos bailarinos aos estímulos, para poder entender como dirigí-los para esse contato com o interior, deixando com que o movimento seja o resultado do "movimento mais interior", de uma entrega que não busca a forma, complexo em camadas de sentidos. O desafio fica sempre no registro dessa forma no corpo, no espaço e no tempo. A forma paradoxalmente é importante, mas parece que não podemos pensá-la de fora para dentro
A não divisão entre vida e arte, a experiência como arte.
Algumas questões que estão sempre presentes:
1-Como as noções de corpo e movimento influi na forma como nos expressamos e criamos em dança?
Por isso achei importante que no encontro 3 conversássemos sobre nossas noções de corpo e sobre minha pesquisa e aproximação com a performance art.
2- Qual a importância das estratégias utilizadas para a criação e sua influência no trabalho final apresentado ao público ?
Penso que neste caso achei importante contextualizar a ideia da performance para que o trabalho de improvisação que iremos fazer com a comida no corpo não seja só a da sensação da comida no corpo. Esse lugar já me parece muito conhecido e muito explorado. Assim, é importante criar camadas de significado para de alguma forma levar a improvisação para um outro lugar de criação. Onde a comida no corpo seja só o ponto de partida, ou uma maneira de entrar em contato com toda a reflexão que surgiu do Banquete de Platão.
3- Como abordar o tema a ser trabalhado e criar uma situação/ contexto/ ambiente e atmosfera propícia de criação para acessar, refletir, processar, incorporar e se envolver com o tema e sua s premissas? Seria isso primeiramente possível e finalmente, original e interessante?
Fotos: Marina Abramovic
O segundo encontro por Luciana
O segundo encontro por Luciana
Analisando como trabalhei no primeiro encontro percebi que eu já tinha uma idéia da onde eu queria chegar fisicamente e aí os exercícios e estratégias de improvisação que propuz acabaram sendo só uma forma de “conseguir” certas qualidades de movimento e “estados” de alguma forma já imaginados. Dessa forma eu estava dirigindo ou mesmo ensinando os performers a chegar em um resultado.
Dessa forma, em contraponto a isso é que pensei em como trabalhar no segundo encontro. Buscando partir das idéias que já tive e não há um ponto antes delas e assim em direção a algo inusitado, imprevisível. Desafio: ficar atenta para não buscar um resultado e sim propor pontos de partida para ver onde vai dar...
sábado, 29 de outubro de 2011
Reflexão
Sera uma discordância com o auto-controle da Marina? Não! O auto-controle dela é em relaçao a não se deixar sair do processo, a permanecer na experiência.
Acredito que é necesario perder o controle, mas o controle imposto pela sociedade, cultura, o controle da negaçao do corpo. Afinal, somos seres civilizados! (ironia)
Para viver essa intensidade é necessario perder o controle.
Enfim, na eseriência passada me senti mais entregue ao processo quando me aproximava fisicamente dos estimulos. Talvez os estiulos seja internos, ocasionados por algo de fora... Não sei!
Quanto mais perto, forte, intenso sao os estilulos melhor é a minha entrega e o desenvolvimento do processo.
O maximo dessa aproximiação é a interiorização dos estimulos (sera?)
Meu ponto de partida pode ser meu interior. Respiração, orgãos internos, circulação, movimentos involuntarios.
Partindo dessa essência e me expandindo cada vez mais.
Resumo Pensamentos Reflexões
2h de conversa!
Conversa, conversa, conversa. Tenho que ler o banquete agora. Necessidade de ver o corpo como corpo, e não parte de uma composição (na dança/performance). O corpo é meio por onde transitam e atarvessam os estimulos. Corpo transparente. Tudo ja existe no universo, a gnte apenas canaliza essas informações. Decodifica. Matrix. 010011010011011010110011. O corpo, em sua presença maxima, na verdadeira esperiência do instante é todo em si, comunica por si so. A experiência (a vida em seu sentido mais fundamentam, mais biologico, essencial) é a presença nesse todo, nesse ceu, nesse corpo. Esse é o interesse do processo? Como separar corpo e pensamento/razão? A filosofa cartesiana é sectaria. A esência do corpo! Isso é possivel?
Resumo Pensamentos Reflexões
Experiéncia no Parque da Cidade
Processo performatico da Marina Abramovich > Percepção, persistência e auto-controle > Experiência maxima do corpo!
O processo foi dificil. Senti um pouco de resultado no final do exercicio. Os pensamentos são muito fortes e racionalizam as sensações do corpo (tem como separar?). Vento no braço, coceira no pé, luz no olho... O comando foi experienciar o corpo em movimento a partir de todos os estimulos que me cercam.Quanto mais intenso, mais proximos estavam os estimulos, mais facil era a entrega para a experiência. Menos posibilidades de desvia a atençao, de ser dominado por pensamentos externos. Essa sensação foi nitida. Focar atençao para elemenos muito distantes e sutis me fazia sair dali, enquanto ao me relacionar com a grama que toca, os arranhões com chão, o barulhos do meu corpo, da minha respiraçao me fazia entrar cada vez mais no meu corpo, nas sensações que tudo isso me causava. A respiraçao foi uma coisa de extrema importância. Ao assumir a respiração e começar a respirar alto e profundo, a entrega/percepção ficou mais verdadeira, meu estado se modificou. é uma espécie de entorpecência, sair da condição normal (rodar, perder equilibrio, girar, tontura, dor...)
Da onde vem os estimulos, afinal? São externos ou internos? Quanto mais proximo do meu corpo, maior a percepção, mais intensa a experiência.
Resumos Pensamentos Reflexões
O que é o banquete? Ainda não li o livro, a Luciana me conta parte de suas impressões. O que captei...
As impressões que ficam pra Luciana são mais que tudo a disputa entre os homens que, entre rasgações de seda, cada um tenta colocar sua idéia mais acima às dos outros. Não comunica realmente nenhum entendimento sobre o que é o amor... Ao contrario do nosso entendimento de banquete, o banquete de Platão não tem comida, somente vinho, e com o passar do tempo os falantes vão cada vez mais saindo de seus estados corporais e alcançando um certo nivel de consciência:pensamento > Vinho como algum tipo transcedência intelectual (dicotomia platônica corpo/alma).
A resposta ao banquete traz a disputa entre os homens de volta ao corpo, ao instinto, ao viceral...
Processo:
Novas formas de pisar, reverberações no corpo e movimento. Novas formas criadas.
Bagunçamos as roupas. Nos movemos tentando arrumar as roupas apenas com movimento corporais. Procedemos. Repetimos os movimentos com as roupas ja arrumadas (quais memorias corporais permanecem?). Começamos a nos mover em gestos continuos, os menores movimentos possiveis. Aceleramos ao maximo esses movimentos > Rapido e pequeno. Ainda nos movendo começamos a falar o nome de comidas. Distruimos as palavras, tranformando apenas em sons. Uma mistura de desejos intensos contidos. Experimentamos os sons sem movimento. Que movimentos surgem a partir desses sons? Repetimos todo esse processo. Terminamos eu e Leando (inicialmente lado a lado) um de frente pro outro, em disputa/duelo, pausando em estatua em determinados momento e continuando, aos comandos da Luciana primeiramnte e depois por vontade propria. EXAUSTÃO!
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Uma fonte: Marina Abramovic

Fonte: Marina Abramovic “Cleaning the house”
Anotações do filme documentário de um workshop/vivência ministrado por Marina Abramóvic de preparação dos performers que iam ficar em cartaz no MOMA de Nova York fazendo as performances da retrospectiva do seu trabalho :
“Todos gostam de fazer o que gostam de fazer, mas ninguém treina o que gosta de fazer.”
No sentido de que não nos atermos ao que é mais importante. E a presença total naquilo que estamos fazendo como beber água”
“It is not going to be easy”
“A única maneira de ser bem sucedido é encontrar/criar o seu espaço carismático”
“If you want to be a performance artist is about Endurance, perception, self control.”
“Body limits are one thing but mental limits are once what we have to deal with. Body is only the instrument.”
"What kind of soul you have? What is inside?"
"How can you really use your body in extreme situations?"
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Primeiro encontro por Luciana Lara
uma pequena apresentação sobre o texto “O Banquete” e também sobre as primeiras idéias
para a performance.
Realizamos uma improvisação:
A sequência de comandos surgiam das respostas físicas dos performers, nesta ordem:
1- Posturas – Foi pedido para eles desarrumarem as roupas que estavam vestindo e
tentarem, por meio do movimento, voltá-las para a posição correta sem usar as mãos.
2- Ao encontrarem alguns movimentos e trejeitos, foi pedido para que eles os repetissem
dessa vez sem as roupas tortas.
3- Fixados os movimentos pedi para que eles andassem, sentassem e fizessem ações
cotidianas com o corpo naquela situação postural causada pelos movimentos.
4- Pedi para que eles movem-se daquela forma cada vez mais rápido e menor.
5- Na velocidade máxima desses movimento pedi para que eles dissessem uma lista de
coisas que eles gostam de comer.
6- Pedi para que eles deixassem o movimento interferir no como eles falavam as palavras.
7- Pedi para que eles deixassem as palavras mudarem com o movimento, que sofressem
alterações como interrupções, acelerações, modificações com os golpes de ar até que
a palavra quase se desfizesse, se fragmentasse em sílabas e ás vezes na pronúncia só
das vogais e consoantes e sons silábicos.
8- Acrescentei um movimento de língua (lambendo os lábios) durante a fala.
9- De frente um pro outro pedi que eles de alguma forma entrassem em competição,
com todos esses elementos acontecendo simultaneamente.
10- Na exaustão e já em um estado alterado do corpo pedi que eles recomeçassem todo o
caminho percorrido até ali feito , como se o processo e os exercícios fossem o roteiro
de uma cena.

























