O processo da performance Cru dirigido por Luciana Lara e interpretada por mim, Danilo Fleury, e por Leandro Menezes, foi um processo profundo e ao mesmo tempo ainda extremamente superficial. O que conseguimos vivenciar durante o curto tempo de experienciação me aparece hoje como um gostinho do verdadeiro banquete que pode estar por vir! Percebemos as grandes possibilidades que o trabalho realizado nessas semanas possui e um rumo muito interessante na pesquisa de movimentos e de experienciação psico-somática tratando o corpo em sua corporalidade mais crua, corpo como corpo-objeto, corpo-animal, corpo-instinto, corpo-desejo, corpo-comida e corpo-comido. O processo foi se realizando em cima do questionamento dos entendimentos sociais do corpo, dos pudores, das castrações, da repressão, da futilização, do esquecimento, da atrofiação. Como retomar e trazer novamente ao corpo as potencialidades fisicas, expressivas, vitais de que ele é capaz foi o motor de impulsão dessa experiência performática realizada. Inspirada nas ideias de Platão, trazemos sua intelectualidade de volta ao corpo, seus pensamentos de volta a organicidade visceral e animal do ser humano. E falando de Platão, falamos diretamente da sociedade contemporâneam que segue em convenções os pensamentos duais do filósofo, a separação do mundo, do corpo e alma.
O processo aconteceu em alguns encontros que sempre se trilhava na base do improvisos, dirigidos ou não. A improvisção foi pra mim um dor grandes desafios e dificuldades do trabalho principalmente pela falta de segurança que sinto ainda em explorar as reverberações dessa corporalidade crua em meu corpo. Um encontro, uma experimentação. Seguindo as vezes por caminhos completamente diferentes, cada improvisação, cada entrega, cada vivência estava presente no "produto final" que esta longe do final. Ora a movimentação com o corpo cheio de comida, ora a mímica de animais, entre outras. Depois de um tempo sinto que por diferentes caminho tudo se incorpora e integra justamente o corpo que buscamos, saindo de uma composição racional para uma memoria e uma intelectualidade corporal, institiva.
Acredito que o processo ainda tem material para muito mais pesquisa e aperfeiçoamento, penetrando cada vez mais neste universo esquecido de possibilidade e potencialidades do corpo.
Obrigada Danilo por este seu relato!
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