A criação do work in progress Cru foi mais uma parceria junto à Luciana Lara. Trabalhando a cerca de quatro anos junto à ASQ, a experiência que trago com seus processos, sempre foram de verticalização na pesquisa do movimento. Quando me refiro a esse trabalho, me deparo com um prazo curto e de muita necessidade de entrega. Cru é um trabalho que requer do intérprete, não meias palavras ou meia entrega, é um processo que requer, ou bailarino (por que não?), do performer, ou como você opta por “definir”, uma disponibilidade psicofísica abrangente e exposição. Desde o início, buscou-se uma fisicalidade que reverberasse cada vez mais essa relação corpo/orgânico. O corpo enquanto elemento orgânico, quase um virar ao avesso desse corpo. Aos poucos o caminho foi de busca cada vez mais da aproximação do corpo com o primitivo, os primeiros sabores, os primeiros prazeres, o animalesco, o devorar e devorar-se. Não a busca mimética, que inclusive ocorria em alguns momentos, mas a busca por um estado primitivo reverberado nesse corpo por meio de sons, gestos, ações e principalmente relações. O corpo nu foi surgindo naturalmente na pesquisa, e na busca dessa organicidade reverberada, onde a nudez possibilitava a visibilidade do corpo reagindo a tudo no momento da criação. A dramaturgia foi sendo delineada a medida que entendíamos as relações que estávamos criando, entre nós, com cada um, com os objetos e com o público. A definição do que supostamente éramos, o que nos transformávamos e o que realizávamos foi delineando o resultado final. A agressividade, ou disputa de poder, foi surgindo nos improvisos, o que tornava a performance cada vez mais exigente do intérprete.A exigência de sustentar um alto grau agressivo e de ação, exigia uma preparação que eu particularmente sentia que meu corpo não possuía. Em determinado momento parece que o corpo não responde mais, não se sabe, nem se entende mais o que se está criando, sendo necessário então o olhar de fora para conseguir identificar essas milhares de criações. A experimentação com talheres trazia uma possibilidade rica de vocabulário que ainda não foi descoberta nesse work in progress. Alguns elementos foram coletados, mas o universo que uma faca, um garfo, e uma colher possuem é muito maior e mais aprofundado, crendo eu que necessitaríamos de mais tempo e pesquisa. Interessante era perceber e sentir no próprio corpo a transformação física da performance. Tentarei em algumas breves palavras descrever sensações que reverberavam ou ocorriam no corpo:
- Cansaço, dor muscular, respiração alterada, ardência em algumas partes do corpo, inchaço no rosto, agressividade, vontade de permanecer quieto, excesso de energia, taquicardia, necessidade de não olhar as pessoas nos olhos, sudorese, impaciência, vontade de ficar só, forte resistência a dor, sensação de fracasso, arrependimento, excesso de informação mental, certo grau de humilhação.
Querido Le! Obrigada por seu tempo, dedicação, disponibilidade e esse seu t
ResponderExcluirexto final!!!!